domingo, 16 de dezembro de 2007
Governo facilita curso de pós a distância
FÁBIO TAKAHASHI
da Folha de S.Paulo
O Ministério da Educação decidiu diminuir a exigência para abertura de cursos de especialização (pós-graduação lato sensu) a distância no país. Agora, as universidades não precisarão mais ter um prédio com tutor (professor), biblioteca e estrutura de apoio ao estudante na região em que a pós-graduação é oferecida.
Atualmente, para se abrir um curso nesse formato, é obrigatório que a instituição tenha essa estrutura (chamada oficialmente de pólo presencial).
O governo entendeu que a exigência era muito alta e desacelerava a expansão das matrículas na modalidade.
Segundo o Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância, foram oferecidas 72.524 vagas de especialização à distância em 2004 (último dado disponível).
Como comparação, a PUC-SP tem 15 mil alunos em especialização convencional (presencial). A especialização é mais comum no setor privado. Não há dados oficiais do MEC.
A alteração na área, antecipada à Folha, está presente em uma portaria assinada ontem pelo ministro da Educação do governo Lula, Fernando Haddad. A norma deve ser publicada hoje no "Diário Oficial". A obrigatoriedade da estrutura de apoio será mantida para os cursos de graduação.
O secretário de Educação à Distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowsky, disse que a alteração atende a pedidos das universidades que oferecem a modalidade. As instituições reclamavam que a exigência inibia a abertura de vagas -um dos motivos é o custo para se manter a estrutura.
Segundo Bielschowsky, a retirada da obrigatoriedade pôde ser feita porque "quem procura uma especialização já tem autonomia suficiente para poder estudar sozinho", ou seja, sem a presença física dos tutores.
Em geral, as escolas utilizam a internet para mostrar o quê o aluno deve estudar e também para tirar dúvidas (tutoria).
"Um aluno de graduação ainda precisa de um acompanhamento mais de perto", afirmou.
O secretário disse ainda que o aluno de pós-graduação tem uma condição financeira que lhe permite dispensar serviços oferecidos nos pólos.
Coordenador de um grupo da USP que pesquisou educação a distância, Carlos Alberto Dantas se mostrou contrário à mudança. "A educação à distância é positiva, mas o contato com o professor é fundamental. Só dessa forma você sente o entusiasmo, o impulso para melhorar. Para funcionar, precisa mesclar os dois formatos."
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Filosofia e sociologia são cobradas em vestibulares no Sul
da Folha de S.Paulo (Boas Novas!)
Além das disciplinas comuns ao programa do ensino médio, os vestibulares da região Sul costumam pedir também sociologia e filosofia nas provas da segunda fase.
"O departamento de cada curso escolhe duas disciplinas para a segunda fase, que é de conhecimento específico. No caso de direito, por exemplo, os candidatos fazem filosofia e sociologia", afirma Silvano Cesar da Costa, coordenador da COPS (Coordenadoria de Processos Seletivos) da UEL (Universidade Estadual de Londrina), cuja segunda fase acontece nos próximos dias 9 e 10. Algumas carreiras fazem ainda prova específica de artes.
"O Estado do Paraná já trabalha com filosofia e sociologia no ensino médio há quatro anos, quando avisamos a rede de ensino que iríamos começar a cobrar estas disciplinas a partir do nosso vestibular de 2006/ 2007", afirma Valdo Cavallet, coordenador do Núcleo de Concursos da UFPR (Universidade Federal do Paraná).
"Ao fazermos essa cobrança, conseguimos selecionar candidatos mais bem preparados", avalia. A novidade para este vestibular é que filosofia será uma das disciplinas exigidas para a carreira de medicina.
Sudeste
"Espera-se que o candidato tenha realmente algum conhecimento de filosofia para fazer a prova", afirma Vera Resende, coordenadora-geral da Copeve (Comissão Permanente do Vestibular) da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), que realiza a segunda fase entre os dias 7 e 11 de janeiro.
Carolina Alves Chiconi, 20, do ABC Paulista, irá prestar medicina veterinária na UEL e na UFMG, além de instituições paulistas, e, para compensar, afirma ter "corrido atrás". "Fiquei no pé de professores. Li a maioria dos livros. Do restante peguei resumo."
sábado, 1 de dezembro de 2007
EMANNUEL KANT
EMANNUEL KANT
nasceu em 22 de Abril de 1724,na cidade de Koenigsberg,porto da Prússia Oriental.Nesta cidade passou quase toda a sua vida.Oriundo de uma família humilde de origem escocesa,era filho de J.Georg Kant,de profissão correeiro,e de Ana Regina Reuter.Teve três irmãs e um irmão,que foi pastor protestante em Altrahden,e ainda seis irmãs que morreram em tenra idade.Manteve-se celibatário durante toda a vida
" ...não seria exagero dizer que o tema da sua vida foi a luta pela liberdade espiritual ..."O periodo de tempo em que decorreu a vida de Kant é marcado por grandes mutações políticas, religiosas e sociais.
Filosofia das Luzes, Revolução Francesa e também a ética protestante na sua faceta rigorista e ascética,o pietismo em que foi educado,estão associadas à filosofia de Kant.
Kant vai colocar no centro das suas preocupações o problema da ação: «Quer assegurar,nas melhores condições,o domínio da inteligência sobre os homens e as coisas».
Kant foi um expoente do Iluminismo,acreditava nele,foi o seu grande defensor. Mas se as Luzes tiveram o aspecto positivo de afirmar a liberdade do homem e a autonomia do seu pensar,tiveram também o aspecto negativo de desvalorizar a religião; a sua crença no valor da ciência tende a substituir Deus,a afastá-lo da ação quotidiana do homem. Kant vai lutar vigorosamente contra esta tendência das Luzes.
A Revolução Francesa foi um acontecimento político pelo qual Kant manifestou simpatia,poi vê nela,na continuidade da sua atitude «iluminista», não só a livre auto-determinação de um povo mas também o caracter moral da humanidade que permite esperar o progresso para o melhor. A fase de terror da Revolução Francesa levantou contra ela o resto da Europa e parecia dar razão aos que proclamavam que não se podia dar liberdade ao povo,porque este não estava preparado nem amadurecido para o seu exercício. Kant rebate esta objecção de impreperação e imaturidade argumentando que o amadurecimento para a liberdade se faz no uso e exercício da liberdade. A imaturidade para a liberdade é apenas e somente o argumento de todo e qualquer déspota para justificar a sua dominação.
-o-
A imaturidade não é um produto natural mas simplesmente a triste consequência da ação do déspota. O terror da Revolução Francesa não desautoriza o ideal de liberdade da nova República,pelo contrário,é a prova do efeito depravador do antigo regime.
A sua confiança no progresso da Razão,influência das Luzes,parece inabalável.Há,em Kant,uma crença generosa,----talvez ingénua,----no progresso moral da humanidade,na capacidade do homem se determinar livremente na sua acção. Confia no homem,enquanto pessoa moral,e se alguma reserva podemos hoje opor à filosofia de Kant ela reside na aposta exclusiva que ela faz do indivíduo.Toda a filosofia de Kant é concebida a partir dessa perspectiva estrita, nunca ultrapassando os limites do sujeito individual.
Kant combate «o materialismo,o ateísmo,a incredulidade dos livres pensadores», afirmando que só a Crítica os pode cortar nas suas raízes. A Crítica era a condição indispensável para «abolir o saber a fim de dar lugar à crença»;entenda-se: era preciso abolir o falso saber,fazer a Crítica das exageradas pretensões da razão especulativa para resguardar a fé. Mantém a convicção de que o Cristianismo é uma «Religião completa que pode ser apresentada a todos os homens» e que está destinada a converter-se na religião geral do universo.
Interpreta,contudo,a religião Cristã num sentido predominantemente moral.Considera que Deus,«como autor moral do mundo»,é a raíz da lei moral,os deveres que dominam interiormente o homem são mandamentos de Deus.
Ora esta interpretação essencialmente ética do Cristianismo é de origem Pietista.
Kant situa em planos distintos o que pertence ao conhecimento científico e à crença.A via para Deus não é a da razão teórica,esse foi um erro da metefísica dogmática,mas a do coração,a da moralidade,o que teria sido um ensinamento fundamental do Cristianismo. Parece,portanto,que a intenção de Kant teria sido a de perservar a crença.
A seguir uma síntese do pensamento deste grande filósofo:
A experiência é a origem do conhecimento,mas a sua validade só pode ser assegurada pela razão. |
Os elementos do conhecimento são oriundos de duas fontes:
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Conhecer consistirá então em unir uma matéria com uma forma;aquela,porque depende do objecto,será variável de objecto para objecto e só pode ser fornecida A POSTERIORI;esta,porque depende do sujeito,é sempre a mesma e é A PRIORI.O espírito impõe as suas formas ao objecto e este tem de se lhes conformar,porque de outro modo não o poderiamos conhecer. |
A Razão é a fonte das proposições universais e necessárias,portanto,podemos concluir que a razão produz por si mesma conhecimentos:os que são A PRIORI. |
É facto que as proposições da matemática e da física são universais e necessárias,logo A PRIORI,e ninguem dúvida que tais proposições sejam verdadeiro conhecimento. |
-O conhecimento científico explica-se por juízos sintéticos A PRIORI. |
-Estes juizos são simultaneamente universais,necessários e extensivos. |
-Não se podem fundamentar na experiência,porque só a razão pode ser a fonte de proposições universais e necessárias. |
-Conhecer consistirá numa síntese entre a forma universal,própria do sujeito,e uma matéria fornecida pela experiência. |
O imperativo categórico diz-nos:
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A vontade humana nunca se liberta totalmente das inclinações sensíveis.
- A vontade é sensível ou empírica enquanto é afectada pelos mobiles da sensibilidade,nesta medida é dependente.
- A vontade é pura enquanto racional,criadora da própria lei moral,nesta medida é independente ou autónoma.
- Se no homem há uma vontade pura,não existe todavia uma vontade santa.
- A santidade da vontade é um modelo ou tipo ideal de que o homem se deve aproximar cada vez mais.
- Vontade:casualidade dos seres racionais.
- Liberdade=autonomia=submissão às leis da razão=moralidade.
- Vontade livre é a que age moralmente.
- Soberano bem = virtude + felicidade.
- Felicidade supõe um acordo entre a ordem da natureza,os desejos do homem e a lei moral.
- O homem não é o autor da natureza,logo,quando obedece à lei moral,não pode estabelecer o acordo entre os seus desejos e a natureza.
- A harmonia destes três elementos é necessária à realização do Soberano Bem.
- Então é preciso admitir uma causa supra-sensível que criou a natureza de tal modo que tornasse possível esse acordo.
- O autor do mundo tem de ser simultaneamente uma inteligência e uma vontade=Deus.
- Deus tem de existir.
- Deus criou o mundo com o objectivo de realizar o Soberano Bem,e não a felicidade dos homens;a felicidade destes depende da sua moralidade.
- A acção humana é a de uma pessoa moral e não a actividade de um sujeito cognoscente.
- O homem,pela razão prática,realiza a sua dimensão de pessoa.
- Ser pessoa implica ser livre nas suas acções,ser autónomo.
- Imortalidade da alma e existência de Deus são postulados como uma exigência ética.
- O primado da razão prática revela que a filosofia Kantiana tem uma preocupação essencialmente ético-religiosa.
- A ética possibilita uma nova metafísica e abre o caminho para a religião.
- Abolido o «saber» pela Crítica obtém-se um «lugar para a crença».
- O fundamental é que o homem se saiba auto-determinar=regular a sua acção de acordo com a lei universal que ele próprio criou,libertando-se do determinismo natural.
- O cerne do filosofar incide assim sobre a auto-determinação do homem.A sua pergunta fundamental é:Que é o homem? Um ser racional finito.
Kant pusera-se três questões:
a)Que podemos conhecer?
b)Que devemos fazer?
c)Que nos é permitido esperar?
Podemos agora responder:
a)Podemos conhecer a ordem dos fenómenos no espaço e no tempo.
b)Devemos fazer o nosso dever.
c)Podemos esperar o Soberano Bem.
Kant foi um homem de hábitos extremamente regulares e estabeleceu para si próprio uma disciplina de vida que pareceu ter cumprido escrupulosamente,raramente infringindo os seus hábitos. O testemunho dos alunos é unânime quanto aos seus dotes de professor;os seus cursos eram seguidos com agrado e os ouvintes ficavam presos à vivacidade e clareza da sua exposição. Viveu sempre modestamente e na fase inicial de sua carreira a um nível próximo da miséria.
KARL R. POPPER | «Kant,filho de um artesão,foi enterrado como um rei. No dia do funeral a vida na cidade parou. O caixão foi seguido por milhares de pessoas,enquanto tocavam os sinos de todas as igrejas.Os cronistas dizem que nunca se vira nada assim em Koenigsberg. É difícil de explicar essa espantosa eclosão do sentimento popular... para os seus conterrâneos, Kant tinha-se transformado num símbolo dos ideais da Revolução norte-americana e da Revolução Francesa. Eles vinham portanto demonstrar a sua gratidão ao mestre dos direitos do homem,da igualdade perante a lei,da cidadania mundial,da paz universal e, possívelmente, o mais importante,da emancipação pelo conhecimento... não seria exagero dizer que o tema da sua vida foi a luta pela liberdade espiritual».
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JOHANN G. HERDER | «Tive a felicidade de conhecer um filósofo que foi meu professor. Em plena força da idade tinha o bom humor de um adolescente e julgo que o conservou até à idade mais avançada... Abundante de ideias,a palavra brotava dos seus lábios; espírito e humor nunca lhe faltavam;e o seu ensino era um dos assuntos mais interessantes. Era com a mesma curiosidade de espírito que examinava Leibniz,Wolff,... Hume,que seguia as leis da natureza de Kepler,de Newton e dos físicos,que acolhia os escritos recentemente aparecidos de Rousseau,... como qualquer descoberta da natureza que lhe era dado conhecer. ...este homem, de quem evoco o nome com extrema gratidão e o maior respeito, é EMMANUEL KANT» |
